Genética Médica e Forense
 
 
 
 
Dúvidas e Dicas
 
    Saiba sobre abortamento/abortos de repetição
       
   

Cremos ser de suma importância, já no primeiro aborto, que seja explicado ao casal a alta porcentagem dessa perda na espécie humana (da ordem de 15%) e que o risco de recorrência de um segundo aborto estaria em torno de 23% e que para um terceiro aborto tal risco cresceria para 26%, aumentando muito pouco dali por diante (Warburton e Fraser, 1964). Essa observação empírica deve vir acompanhada da explicação de que os abortos, em sua maior parte (60%), são portadores de uma aberração cromossômica e que a seleção natural opera de modo a propiciar o nascimento predominante de crianças sadias.

 

O material fetal, geralmente obtido através de curetagem nos é enviado em meio de cultura ou solução fisiológica estéril, utilizamos o córion (vilosidade coriônica), âmnion, o próprio feto, quando este se encontra em boas condições lançamos também o material materno (decídua) para nos servir de controle uma vez que não é freqüente a contaminação das células fetais com células maternas. Mantemos a cultura, até que exista um alto índice de células em métafase, interrompemos a multiplicação celular utilizando a colchicina, fazemos a retirada das células dos tubos de cultura, e após realizamos a hipotonia das células, pingamos em lâminas, que são coradas e analisadas.

 

Os 60% dos abortos que tem como etiologia a aberração cromossômica mostram mais freqüentemente as trissomias, mormente a do cromossomo 16, a monossomia do cromossomo X e as triploidias. Outras aberrações menos freqüentes, mas não menos importantes são as alterações estruturais, como as translocações desequilibradas. Estas últimas são predominantemente responsáveis pelo abortamento habitual.